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Você sabia que cães e gatos tiveram o mesmo ancestral?

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Primatas em perigo

Sagui macho, tufo-preto, desnutrido, rabo pelado, corda amarrada à cintura e entranhada em sua musculatura. Seu "carinhoso dono" cansou, não o quer mais. Para salvá-lo foram necessárias várias cirurgias e cuidados intensivos. Seu nome é Mucky, o precursor do Projeto Conservacionista Mucky.
Em 1985, residente no bairro do limão, a publicitária Lívia Maria Botár, hoje ambientalista, recebeu Mucky e após muito pesquisar, manter intercâmbio com especialistas, e desenvolver uma metodologia muito peculiar, resgatou muitos outros "Muckys".
Em 1992, deu-se início ao processo de legalização junto ao IBAMA (568189) como Criadouro Conservacionista. Em meados de 1996 o Projeto, por exigências do IBAMA, mudou-se provisoriamente para uma área rural em Campinas.
Para conhecer os objetivos do projeto e saber como participar nesta importante iniciativa, visite: www.projetomucky.com.br
Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Olho Verde, só não vê quem não quer!

A degradação ambiental, a grande ameaça para a atual e futuras gerações está ao nosso lado. Muitos crimes ambientais estão muito próximos e tem sido frequentemente ignorados.
Acabo de lançar com Mario Moscatelli, biólogo de atitude, um site para mostrar o que muitos não vêem, e outros ignoram ou "acham normal".
Visite www.biologo.com.br/olhoverde e confira as imagens do último relatório. Caso você tenha imagens de degradação ambiental em sua cidade, envie para nós.
O estrago está feito, só não vê quem não quer!
Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Ambientalista se mata para salvar Pantanal

Um amante da natureza mostrou que não se deve medir esforços para salvar um dos tesouros da Terra, o sofrido Pantanal brasileiro.
Morreu na manhã de ontem o ambientalista Francisco Anselmo de Barros, 65 anos, que ateou fogo ao próprio corpo no sábado, em protesto no centro de Campo Grande (MS) contra a construção de usinas de álcool na bacia do Pantanal. Durante a manifestação de sábado, para espanto de seus companheiros, ele se enrolou em um edredom encharcado de gasolina e ateou fogo ao corpo. O ambientalista teve mais de 90% do corpo queimado.
Francisco era Militante ecológico desde 1980. Segundo seus companheiros ele planejou sua própria morte, como descobriram mais tarde pelas cartas deixadas por ele, numa tentativa de chamar a atenção para a tentativa do governo do estado de aprovar um projeto de lei para permitir as usinas na bacia do Pantanal, que são proibidas por lei desde 1982.
O projeto está sendo analisado para votação na Assembléia Legislativa. O ecologista era presidente da Ong, Fundação para Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul (Fuconams).
Em uma das cartas que escreveu, descreve que "fez o que fez como única forma de acordar o povo".
Terça-feira, Novembro 08, 2005

Animais em perigo com corredor
empresarial na Mata Atlântica

Segue abaixo o manifesto da dra. Veronika Schuler Dolenc, advogada, especialista em Gestão Ambiental e artista plástica, organizadora do projeto Tangará que iniciou com a participação de alguns jovens, entre 14 e 20 anos, do Curso de Observação de Aves ministrado por Marc Egger, especialista em aves, na cidade de Embu das Artes www.projetotangara.com.br, trabalhou com a ministra Marina Silva como técnica da Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e atualmente se encontra no IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, SEDE / Brasília / DF, como Analista Ambiental

"Com pesar venho acompanhando as notícias veiculadas pela imprensa sobre o Corredor Empresarial na Rua Maria José Ferraz Prado, bairro de Itatuba, em Embu das Artes (SP). Residi nesta cidade por mais de 30 anos. Hoje, como Analista Ambiental do IBAMA Sede, residindo em Brasília, acompanho com preocupação a situação de minha cidade na qual vivi a maior parte de minha vida e onde também trabalhei muito, pesquisando junto com especialistas e jovens a avifauna da região.
De 2002 a 2004, estive bastante envolvida com esse projeto de identificação da avifauna de Embu, embrenhada na mata, munida de binóculos, luneta e máquina fotográfica, junto com Marc Egger, nosso especialista em identificação de aves e animais e guia turístico internacional. Por diversas vezes, jovens residentes em Embu nos acompanhavam nessa empreitada, nos auxiliando com os instrumentos, inclusive captando momentos raros com a máquina fotográfica.
Um desses momentos de emoção indescritível foi quando estávamos perto da Estrada do Japonês, divisa de Embu com Cotia. Eu dirigia o carro bem devagar, Marc Egger estava ao lado olhando atentamente a mata e o jovem Luciano Russo com a câmera no banco de trás. De repente, Marc num sobressalto pede para eu parar o carro e voltar um pouco. Ele precisava se certificar se realmente havia visto aquela imagem. Pensou ter visto o Gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus). Ele estava certo! Ficamos em êxtase. A presença do Gavião-pega-macaco, segundo Marc, é indicador de matas de boa qualidade, pois ele se alimenta de pequenos mamíferos, inclusive macacos, daí o seu nome. Conseguimos captar esse momento raro com a câmera, graças à rapidez de nosso companheiro Luciano. Aquela ave enorme, maravilhosa, estava lá, parecendo pousar para nós.
Outro fato marcante que também pudemos registrar com nossa câmera foi a nidificação e nascimento de dois filhotes de Jacuguaçu (Penelope obscura). Essa espécie de aves esconde muito os filhotes. Já havíamos tido a oportunidade de ver filhotes bem pequenos, no entanto, sem registro fotográfico. Desta vez, porém, foi diferente. Sentindo-se protegida, a fêmea fez um ninho na forquilha de uma pitangueira, no meio de uma linda bromélia. Para nossa felicidade o ninho estava ao alcance de nossos olhos e também da câmera. Logo após o nascimento, a imagem dos pequenos filhotes recém saídos dos ovos foi captada por Indaia Emília Schuler Pelosini. O aparecimento do macaco-bugio também nos emocionou e montamos guarda para fotografá-lo o que, finalmente, depois de muitas tentativas, tivemos a sorte de conseguir.
Esse trabalho nas Matas de Embu foi extremamente gratificante e trouxe muita alegria. Mas trouxe também muita preocupação. Ao pesquisar, descobrimos que alguns desses animais e aves que estávamos vendo no Embu, faziam parte de uma lista de espécies ameaçadas do Atlas Ambiental do Estado de São Paulo. Para que essas aves e animais pudessem encontrar no Embu, hoje e sempre, seu abrigo e alimento, o que só se torna possível com a conservação dos últimos remanescentes de matas que ainda temos, era urgente que tomássemos algumas atitudes. O que poderíamos fazer? Trabalhos relacionados à educação ambiental foi
a solução imediata que encontramos para noticiar as nossas descobertas e ajudar a população a compreender a importância desse habitat (www.projetotangara.com.br).
Por causa de pessoas que não pensam no desenvolvimento sustentável, mas apenas nos lucros imediatos, é que a nossa Mata Atlântica está cada vez mais destruída, restando cerca de 7%. Atualmente, a cada 4 minutos, perdemos uma quantidade relativa a um campo de futebol desse incrível ecossistema.
Até quando isso vai continuar? Até vermos todos os nossos animais e aves serem extintos? Ou até ficarmos sem água? Será que realmente vamos ter que viver isso para aprender?
Mas então... será tarde demais. Temos que fazer algo AGORA! Não deixar que destruam o pouco que resta da Mata Atlântica! Embora residindo atualmente em Brasília, faço minha todas as vozes de protesto e indignação contra a instalação desse Corredor Empresarial/Industrial na Rua Maria José Ferraz do Prado!
Vamos lutar para que a Mata Atlântica do Embu não seja destruída!
"

VERONIKA SCHULER DOLENC
Analista Ambiental IBAMA / SEDE Brasília/DF

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Pará, terra de ninguém...

Devo parabenizar a Rede Globo pela reportagem exibida ontem no Jornal Nacional onde a criação de uma reserva florestal no interior do Pará não conseguiu frear o desmatamento na região. Caminhões carregados de madeira circulam livremente pelas estradas e os moradores se dizem ameaçados. A reportagem foi feita por Roberto Paiva e Julio Souza.
As árvores derrubadas ficam espalhadas por toda a reserva. As famílias que vivem na região estão com medo e dizem terem sido ameaçadas pelos invasores.
Um homem que estava numa área desmatada tentou impedir a gravação. Segundo o Ibama, esta é a reserva extrativista Ipaú-Anilzinho, criada em junho deste ano por um decreto do presidente Lula. São mais de 50 mil hectares localizados no município de Baião, sudeste do estado. A floresta, que deveria ser protegida, está desaparecendo. Para agravar a situação além de cortar as árvores, os invasores põem fogo na mata.
Em alguns lugares, o gado já ocupa a área onde havia floresta. A madeira que não é queimada fica à beira de estradas abertas no meio da mata. As toras são levadas em caminhões até as madeireiras da região. O transporte não é fiscalizado e os motoristas ainda confirmam: as cargas não têm documentação.
O vai-e-vem de caminhões não pára:
"O dia todo praticamente umas 200 carretas", confirma um homem.
As toras chegam sem problemas às madeireiras. Assim mesmo, veja o que diz Marcílio Monteiro, gerente do Ibama do Pará. "O Ibama vem fazendo um trabalho sério no sentido de coibir quaisquer ações ilícitas naquela região. Se tiver envolvimento de algum agente do Ibama, ele vai ser punido".
Enquanto os veículos do Ibama estavam parados num estacionamento, era intenso o movimento de caminhões que saíam da floresta carregados. Levavam as provas de um crime ambiental.

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